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A cabra Anglo-Nubiana no Brasil   Versão para Impressão  Enviar por e-mail 
20 05 2005
A cabra Anglo-Nubiana surgiu do cruzamento de bodes Nubianos com cabras nativas originárias do Egito, Síria e Índia.

A Grã-Bretanha, na época da formação da raça Anglo-Nubiana, era rainha absoluta dos mares, comerciando livremente, podendo trazer facilmente espécimes das diversas raças que influenciaram na origem dessa notável mestiça, logo depois considerada raça pela fixidez e transmissibilidade de suas características. Sob orientação da British Goat Society (Associação Britânica de Criadores de Caprinos), a partir de 1892 a raça Anglo-Nubiana sofreu uma importante evolução. Em 1910 foram registrados os primeiros exemplares. Em 1923 entrou em vigor o nome British Nubian ou Anglo-Nubiana. Eram animais pesados, longilíneos, arqueados com ossatura vigorosa e excelente aptidão leiteira.

Quatro reprodutores Nubianos são considerados os revolucionários da raça, “Sedgemoor Chancellor”, “Sedgemere Sanger”, “Bricket Cross” e “Bricket Moon”, que foram importados da Núbia e da Índia.

Em visita à Inglaterra em 1994, tive acesso ao padrão racial da raça Anglo-Nubiana que me foi fornecido pelo presidente da British Goat Society (Associação Britânica de Criadores de Caprinos) em Devon. A cabra Anglo-Nubiana tem as seguintes características: cabeça bem conformada, proporcional ao corpo, com perfil convexo; orelhas com implantação alta, longa e espalmada, pendente, dirigida para fora e voltadas para frente nas extremidades, ultrapassando a ponta do focinho em até três centímetros; chifruda ou mocha; olhos vivos grandes e brilhantes; pescoço bem implantado, musculoso, médio, com ou sem barbela nos machos, delicado, bem levantado nas fêmeas, tem o corpo longo, profundo e bem conformado, peito amplo, musculoso; linha dorso-lombar retilínea e larga; tórax profundo, costelas bem arqueadas, ventre amplo, profundo e de boa capacidade; ancas bem separadas; garupa longa, suavemente inclinada; membros fortes bem aprumados com cascos fortes e escuros; testículos normalmente desenvolvidos, médios e móveis, com bolsa escrotal normalmente desenvolvida de pele solta; úbere volumoso, macio e bem inserido com bons ligamentos, com tetas simétricas dirigidas ligeiramente para frente. Possui todas as variedades de pelagem, com pêlos curtos e brilhantes, pele solta predominando a cor escura e tem altura de 70 a 90 cm nos machos, 60 a 70 cm nas fêmeas, peso de 100 a 140 kg nos machos, 80 a 120 kg nas fêmeas.

As primeiras cabras realmente Anglo-Nubianas (antes disso foram feitas introduções de animais sem qualificação rigorosa) que chegaram ao Brasil foram importadas da Inglaterra na década de 1930 a 1940. Foram para o Estado da Bahia e se espalharam em todo o Nordeste, foram feitas mais algumas importações da Inglaterra em Pernambuco e no Ceará até o aparecimento da doença "vaca-louca", fechando de vez as importações deste país. As últimas importações foram feitas do Canadá, Estados Unidos e Nova Zelândia, porém muitos exemplares eram da raça Nubiana, as quais possuem um porte menor, orelhas menores, pernas mais curtas, comprimento lombar mais curto. Aqui no Brasil esses animais foram nacionalizados como Anglo-Nubianos pelos técnicos da ABCC (Associação Brasileira de Criadores de Caprinos), delegada pelo Ministério da Agricultura para gerir o registro genealógico dos caprinos. Assim, no Brasil, a raça Nubiana é considerada Anglo-Nubiana.

Já foram registrados mais de 100.000 caprinos Anglo-Nubianos. No Brasil o rebanho hoje é estimado em 40.000 cabras registradas, somando-se ainda cerca de três milhões de mestiças. São animais aclimatados que resistem bem às estiagens prolongadas.

Dupla Aptidão

A cabra Anglo-Nubiana é de dupla aptidão: produz leite e carne. Tem um bom comportamento no ambiente tropical, que é a melhor garantia para o sucesso de sua criação no Brasil. Selecionada para produção de leite, chega a produzir média de 4,0 kg/dia, de um leite rico em gordura (com 4 a 6% de matéria graxa), especial para fabricação de queijos finos. A Anglo-Nubiana tem sido criticada sob a alegação de não possuir grandes períodos de lactação e isso em parte é verdade para certas linhagens ou indivíduos menos selecionados para produzir leite por longos períodos. Mesmo nessas linhagens, no entanto, são encontrados animais com boas produções no início da lactação, declinando depois e, como essa raça não evidencia os inconvenientes da reprodução estacional - de um parto por ano e restrito a determinados meses - próprios das raças alpinas, as cabras Anglo-Nubianas reproduzem o ano todo.

Na prática, é possível conjugar estas duas características: grande produção inicial de leite e reprodução não estacional. Se as cabras Anglo-Nubianas dão três partos a cada dois anos ou, melhor, um parto a cada oito meses, mesmo que as lactações sejam diminuídas, nos períodos totais, para 180 dias, o período de descanso encurta-se para 60/90 dias, compensando o período total de lactação maior nas cabras alpinas, mas que têm um período entreparto muito longo.

A cadeia do leite de cabra no Brasil aos poucos vai se desenvolvendo, o produto vai deixando de ser um medicamento para se tornar mais uma opção de alimento na mesa do brasileiro. Assim, quando a demanda pelo produto aumentar, a Anglo-Nubiana será a única raça que tem lastro para atender de imediato a produção. Lastro esse, tanto em forma de pureza racial, ou mestiça (cruzada com bodes alpinos).

Na Bahia, as cabras Anglo-Nubianas são sempre campeãs dos concursos leiteiros organizados pela Secretária da Agricultura e abertos a todas as raças. O recorde baiano é da cabra Anglo-Nubiana Jussara do Paschoal que, em 1996, na Fenagro, produziu 23,40 kg de leite em seis ordenhas durante três dias, com média de 7,80 kg/dia.

Em caso de produção de cabritos é possível diminuir até para seis meses os intervalos entrepartos. A raça Anglo-Nubiana adapta-se a todos os sistemas de criação, seja extensivo, semiconfinado e confinado. É muito versátil, se a intenção do criador é produzir carne o criador deve selecionar indivíduos com caracteres de um animal carniceiro. Se a intenção é produzir leite o criador tem a opção, em curto espaço de tempo, de selecionar os indivíduos para produção de leite, com um custo mais baixo em relação às cabras de origem alpina criadas confinadas.

O macho Anglo-Nubiana é possuidor de notável carcaça, pesando de 100 a 140 kg, possui as partes de cortes nobres bem definidas e carne macia. Os cabritos bem alimentados atingem 28 a 30 kg com apenas 90 dias de idade.

O caprino Anglo-Nubiano é um animal rústico e resistente, indicado para cruzamentos com as cabras mestiças melhorando a sua produção de leite e carne. São animais andarilhos que suportam bem a procura de alimento na época de estiagens. Os machos apresentam libido bem acentuada.

No crescimento dos cabritos mestiços, ao fim do 1º mês, verifica-se, para machos e fêmeas em conjunto, um aumento de peso em relação à época do nascimento de 2,4 vezes para os animais comuns; 2,5 vezes para os 1/2 sangue; 2,8 vezes para os 3/4, e 2,9 vezes para os 7/8 de sangue Anglo-Nubiano. Se considerarem as diversas categorias de sangue separadamente, nas diversas idades sucessivas, verifica-se, por exemplo, que à altura dos três meses, quando sempre se pode contar com um grande número de dados, os animais comuns apresentaram um aumento de 3,9 vezes sobre o próprio peso ao nascer; os 1/2 sangue, 4,9 vezes, os 3/4, 5,6 vezes; vendo-se que a maior eficiência de aumento de peso ocorre à medida que aumenta a percentagem de sangue melhorador, comprovando assim a grande precocidade da raça Anglo-Nubiana. Vale lembrar que este estudo foi feito com a fonte de alimento dos cabritos, o leite materno e pasto de Buffel, e o mesmo pasto era a única fonte de alimentação das cabras.

Crescimento de mestiços Anglo-Nubianos (kg) - Reprodutor utilizado de Linhagem Inglesa

Idade

Comum

1/2 A-N

3/4 A-N

7/8 A-N

 

Machos

Fêmeas

Machos

Fêmeas

Machos

Fêmeas

Machos

Fêmeas

Ao nascer

2,04

1,82

2,76

2,43

2,89

2,78

3,09

2,87

Um mês

5,23

4,08

6,97

6,09

8,15

7,84

9,39

8,25

Dois meses

7,45

5,44

11,16

9,32

13,19

11,68

13,81

12,00

Três meses

8,33

6,94

14,59

11,99

16,65

15,27

17,36

16,50

Experiências a campo revelam que as cabras Anglo-Nubianas com sangue das linhagens importadas da Inglaterra na década de 1930 são mais rústicas, produzem cabritos mais pesados e mais precoces e, quando selecionadas para produção de leite, respondem melhor, com um custo mais baixo de produção. As cabras com forte presença das linhagens importadas do Canadá, Estados Unidos e Nova Zelândia, que foram introduzidas há pouco tempo no Brasil, necessitam de cuidados especiais no manejo nutricional e sanitário.

Por possuir um maior tempo adaptando-se ao nosso clima e à nossa vegetação, as cabras Anglo-Nubianas de linhagem inglesa comportam-se muito bem nos campos do nosso semi-árido. De todas as raças de caprinos, a Anglo-Nubiana foi a que mais se multiplicou pelo Brasil.

Este ano a Expo Nacional da Raça Anglo-Nubiana será realizada em Natal (RN) na Festa do Boi, onde acontecerá também um simpósio, oportunidade de juntar os criadores para discutir o futuro da raça no Brasil. Uma das metas do simpósio é criar uma estratégia de marketing para divulgar as qualidades da raça. Vamos aproveitar para realizar a assembléia de fundação da associação que vai promover a raça, a ABRAN (Associação Brasileira da Anglo-Nubiana).

Tomaz Q. Radel - É criador de caprinos Anglo-Nubianos desde 1970, formou a linhagem Paschoal de caprinos Anglo-Nubianos, é proprietário da Cabanha Paschoal em Ipirá na Bahia. Informações: e-mail: tqradel@terra.com.br


Fonte: Revista O Berro Edição 75 de Março/2005.


 
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