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A Boa formação de uma pastagem   Versão para Impressão  Enviar por e-mail 
29 10 2004

O sucesso da formação de uma pastagem depende muito mais de conhecimento do que de sorte. Grande parte dos procedimentos necessários a uma boa formação, apresentados a seguir, não implica em aumento de custos.

1. O preparo do solo:

- inicia-se pela coleta de mostras do solo para análise. Com os resultados, um engenheiro-agrônomo pode fazer recomendações de calagem e adubação, no que será considerado, também, o tipo de capim escolhido para o plantio;
- metade da quantidade de calcário recomendada deve ser esparramada na área antes da aração e, a outra metade, após a primeira gradagem;
- a primeira movimentação do solo pode ser feita com arado ou gradeadora ("grade rome"), incorporando todo o material vegetal existente na superfície. Em seguida, com uma grade niveladora faz-se o destorroamento do solo, nivelamento da superfície e eliminação de eventuais invasoras. Quase sempre, duas passadas da grade niveladora são suficientes;
- a aplicação a lanço de fertilizantes (superfosfato, por exemplo) deve ser feita antes da primeira gradagem niveladora ou entre a primeira e a segunda, para uma boa incorporação do fertilizante.

2. Cuidados especiais no preparo do solo:

- as ações para o controle de erosões, com o a construção de terraços e curvas de nível, devem ser executadas após o nivelamento do solo;
- o destorroamento excessivo, resultante de número exagerado de gradagens, deve ser evitado a todo custo;
- a calagem deve ser feita entre 60 e 90 dias antes do plantio, para que o calcário tenha tempo de reagir no solo;
- Observação: é muito importante esperar que o material vegetal incorporado ao solo pela aração apodreça antes do plantio; caso contrário, as sementes morrerão por causa dos efeitos da fermentação deste material;

3. O plantio:

- a melhor época de plantio é quando as chuvas passam a ocorrer com com maior freqüência (novembro a janeiro no Brasil Central). Em áreas queimadas, no entanto, o plantio deve ser feito sobre as cinzas, quer dizer, antes da ocorrência das primeiras chuvas;
- seja qual for o método escolhido o plantio deve possibilitar a distribuição uniforme das sementes por toda a área a ser formada. No caso de plantio em linhas ou covas, o espaçamento entre elas deve ser o menor possível;
- uma causa freqüente de insucesso é o plantio de quantidades insuficientes de sementes. A boa regulagem do equipamento de plantio é uma forma de garantir que a quantidade certa de sementes seja plantada. Essa quantidade, chamada de taxa de semeadura, varia de acordo com o tipo de capim e lote de sementes.
- tanto a compra das sementes quanto o cálculo da taxa adequada de semeadura devem ser baseadas no Valor Cultural (%VC) da semente a ser plantada. Esse valor resulta da análise da semente em laboratório e representa a percentagem de sementes puras viáveis contida no lote de sementes. Os valores mostrados na Tabela 1 permitem ajustar a taxa de semeadura de lotes com diferentes % VC;
- as sementes devem ser cobertas pelo solo após a sua distribuição na área. As semeadeiras de linha e as "matracas" fazem isto automaticamente. O enterro excessivo das sementes também é uma causa freqüente de insucesso na formação de pastagens. Sementes miúdas como as dos capins colonião, Tanzânia, Mombaça, andropógon e setária devem ser enterradas, no máximo, a 2 cm de profundidade, enquanto que as de brizanthão (braquiarão), decumbens e hunidícola a não mais de 4 cm;
- nos plantios a lanço, feitos, por exemplo, com esparramadeira de calcário ou avião, as sementes são depositadas sobre a superfície do solo e precisam ser logo enterradas. Isso pode ser feito: a) com rolo, compactador, de ferro ou de um ou mais conjuntos de pneus lisos, que podem ser construídos na própria fazenda; b) com grade niveladora leve fechada, isto é, regulada de forma que os discos fiquem paralelos à direção de avanço do equipamento, para que não enterrem muito as sementes.

4. Cuidados especiais no plantio:

- muitos equipamentos usados para plantio (principalmente as esparramadeiras de calcário) não permitem regulagens para quantidades inferiores a 7 kg - 8 kg de sementes por hectare. Se for necessário plantar quantidades menores que estas, areia, fosfato de rocha, calcário, esterco seco e moído, pó-de-serra, ou casca de arroz, podem ser misturados às sementes para aumentar o volume a ser plantado;
- alguns fertilizantes, como cloreto de potássio, uréia e sulfato de amônia, não podem ser misturados com as sementes porque causam sua morte. Por outro lado, o superfosfato simples granulado pode ser misturado, desde que o plantio ocorra no mesmo dia em que a mistura foi preparada;
- a rolagem, imediatamente após a distribuição das sementes, favorece o seu contato com o solo, posicionando-se na profundidade adequada e possibilitando uma emergência rápida e homogênea das plantinhas. No entanto, ela não deve ser feita caso chova logo após a distribuição das sementes (porque a chuva, por si só, promove o enterro a maior parte das sementes) nem, tampouco, em solos muito argilosos, especialmente, quando úmidos;
- em plantios aéreos ou feitos com "matracas", devem-se utilizar sementes com altas % VC;
- trabalhar com o depósito de sementes da semeadeira sempre cheio diminui a excessiva separação (estratificação) das sementes pesadas das leves. Se isso não for feito, as sementes pesadas (de melhor qualidade) tenderão a ser plantadas primeiro e as mais leves vão ficando para o fim. Esse problema ocorre dentro do depósito por causa da trepidação da máquina em movimento, e pode resultar em grande desuniformidade no estabelecimento da pastagem.

5. Estimando as chances de sucesso:

- para o bom início da formação de uma pastagem é necessário que se obtenham, no mínimo, 20 plantinhas nascidas (e bem distribuídas) por metro quadrado no caso dos capins braquiarão (brizantão), decumbens e humidícola; enquanto que 40 plantinhas por metro quadrado são necessárias no caso dos capins setária, andropógon, colonião, Tanzânia e Mombaça.

6. Manejo de formação:

- o primeiro pastejo, quando feito de modo correto, garante o sucesso de uma formação bem iniciada. Ele deve ser feito logo que as plantas estiverem crescidas e cobrindo toda a área plantada. Neste caso, é melhor utilizar animais leves, jovens, para fazer apenas um desponte das plantas. Nesta fase, se forem utilizados animais pesados, as plantas poderão ser arrancadas durante o pastejo;
- se o primeiro pastejo for feito bem mais tarde, muitas plantas morrerão por causa da competição entre elas. Isso aumenta os espaços vazios na pastagem, diminui a produção de capim e facilita o crescimento de ervas daninhas;
- a partir do primeiro pastejo, à medida em que as plantas se desenvolvem, a pastagem pode passar a ser utilizada normalmente.


Fonte: Revista Agropecuária Tropical nº 118.

 
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