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Onfalite (Inflamação do Umbigo)   Versão para Impressão  Enviar por e-mail 
21 01 2005
Onfalite é o nome que se dá à inflamação do umbigo, caracterizada por edema (inchaço), sensibilidade e aumento de temperatura. O cordão umbilical leva alguns dias para secar, e é nesse período que pode ser uma porta de entrada para muitos micróbios.

São três aspectos:

1 - No geral, os cordeiros ou cabritos morrem rapidamente, por septicemia, que é a infecção grave do sangue.

2 - Ou sofrem durante um certo tempo devido à inflamação do umbigo (flebite umbilical) que, mesmo não sendo tão grave como a septicemia, também provoca estragos. O cordão apresenta uma inflamação na veia umbilical. Depois surge uma fístula que supura. A infecção pode chegar até o fígado. A febre toma conta do pequeno animal, produz fortes diarréias e, geralmente, morre ao fim de 3 ou 4 semanas.

3 - Ou apresentam infecções das articulações (gota, artrite) que entorpecem sensivelmente o seu desenvolvimento, tudo originado pela infecção umbilical. Os animais ficam tristes, não comem com apetite, estão quase sempre deitados. Quando vários membros são afetados, os animais parecem paralíticos. Vivem por algum tempo, mas são pouco desenvolvidos, ou morrem. Os que sobrevivem têm baixíssimo valor.

A doença - A doença é causada por bactérias, como Estafilococus, Estreptococus, Encherichia Coli e Clostridios do complexo Chauvei.
O processo pode atingir veias (Onfaloflebite) e artérias (Onfaloarterite) umbilicais.

A Onfalite é decorrente da falta de higiene na desinfecção do umbigo dos recém-nascidos. Por isso, em alguns casos, haver miíases (bicheiras) associadas.

Os micróbios entram na corrente sanguínea e migram para o fígado e articulações, dando lugar aos abcessos. Em certos casos há a ocorrência de abcessos intraperitoniais, que podem evoluir para uma hérnia umbilical, havendo necessidade de intervenção cirúrgica.
Em outros casos, os abcessos localizam-se na medula espinhal, levando o animal a um quadro de paralisia irreversível do trem posterior (patas traseiras).

Há ainda casos em que as bactérias multiplicam-se na corrente sanguínea, provocando hipertemia (febre) e morte, caso não haja tratamento adequado. Nesse caso é comum encontrar animais com espessamento das articulações dos membros, sobretudo dos anteriores (dianteiros) com aumento de temperatura e claudicação. Nesse caso, trata-se de um quadro de poliartrite purulenta, típico que permite a diferenciação das artrites infecciosas como CAEV, a Micoplasmose, quando se obtém um líquido seroso ou sero-sanguinolento.

Prevenção - Os casos de Onfalite devem ser tratados localmente, com aplicação de soluções antissépticas (tintura de iodo, líquido de Dakin, permanganato de potássio, etc.). O objetivo é impedir que os micróbios cheguem ao umbigo. Se forem detectados sinais sistêmicos, faz-se necessário o uso de antibióticos de amplo espectro (Enrofloxacina, sulfa, trimetorin, oxitetraciclina, etc.). Além de eventual tratamento suporte com hidratantes, glicose e vitaminas.


A prevenção pode ser feita da seguinte forma:

1 - Assegurar que os neonatos ingiram bastante colostro. Isto estimulará sua resistência às infecções e aumentará suas defesas;

2 - Desinfetar o cordão umbilical com soluções antissépticas. Basta aplicar colódio iodado sobre o cordão e à volta dele e deixar secar. O colódio forma uma película sólida que impede a entrada dos micróbios. Quando a película cai, o cordão já está seco e bem cicatrizado;

3 - Evitar aglomeração de animais em espaço muito pequeno e sujo, sobretudo se as fêmeas venham a parir nestes locais;

4 - Abrigar os neonatos em instalações adequadas;

5 - Higienizar o material utilizado no manejo dos recém-nascidos, como tesouras, panos, etc;

6 - Eliminar os restos de membranas fetais;

7 - Vacinar os animais contra Clostridioses no seguinte esquema: Fêmeas 30-40 dias antes do parto. Cabritos ou cordeiros a partir dos 30 dias, com dose de reforço 15 dias após a primeira. São medidas eficazes.


Fonte: Revista O Berro Nº 59.


 
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